Significado das Fantasias dos Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira do Estácio de Sá

A magia do Carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.

Quando um casal entra na avenida bem vestido, defendendo com orgulho o seu pavilhão, seja ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que essa magia realmente nos tocou e passou a morar dentro de nós.

Esta é a décima segunda publicação da nossa série sobre os significados das fantasias do Carnaval de 2026. O Observatório dos Casais tem a alegria de, por mais um ano, registrar e preservar a memória dessa arte que atravessa gerações e emociona o público nas arquibancadas e pela transmissão.

Em 2026, seguimos ampliando nosso olhar: além do Grupo Especial, mais uma vez incluímos também os significados das fantasias da Série Ouro, reunindo informações sobre os desfiles realizados no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É motivo de orgulho conseguir compartilhar com o público o valor simbólico que cada fantasia carrega dentro do enredo das escolas.

Como já destacamos no ano passado, os casais da Série Ouro vieram extremamente bem vestidos, o que evidencia o cuidado e o respeito dos carnavalescos e das agremiações com esse quesito tão representativo. Cada detalhe reforça a importância do casal dentro de uma escola de samba: são duas pessoas que empunham um pavilhão que representa uma nação, guarda histórias e carrega a identidade de uma comunidade inteira.

Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias dos casais do Estácio de Sá, quinta escola a desfilar na sábado de carnaval pela Série Ouro:

O Estácio de Sá foi a quinta escola a desfilar no dia 14 de fevereiro de 2026, teve como enredo "Tata Tancredo – O Papa Negro no Terreiro do Estácio", desenvolvido pelo carnavalesco Marcos Paulo e fazia uma homenagem a Tancredo Silva, mais conhecido como Tata Tancredo, um dos principais lideranças da religião Umbanda e da Tradição Omoloco. 

O quadro de casais da escola do Estácio contava com três casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, sendo o primeiro formado por Feliciano Júnior e Raphaela Caboclo, o segundo formado por Cauã Silva e Manuela Brasil e o terceiro casal formado por Jefferson Pereira e Aline Lima.

Primeiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Feliciano Júnior e Raphaela Caboclo 
Nome da Fantasia: A Paixão pela Folia e Suas Cores
Criação: Marcos Paulo
Confecção: Não Específicado no Livro Abre Alas

O primeiro casal representa a paixão pela folia e as cores que Tata Tancredo tinha | Foto: Tata Barreto

O que representa: Nosso gracioso primeiro Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira carrega todo o tradicionalismo com a função de proteger e apresentar o maior símbolo da nossa Escola de Samba, o “Pavilhão”. Também traz a paixão na formação cultural de Tancredo da Silva Pinto a partir dos carnavais de rua e dos blocos fundados por seus familiares, com destaque para a atuação de seu avô. Esses festejos populares são apresentados como o berço de sua relação com o samba, o carnaval e a cultura afro-brasileira. O carnaval de rua é compreendido como território de sociabilidade, transmissão de saberes e construção de pertencimento, onde música, religiosidade e celebração se articulavam de forma integrada. As cores, os ornamentos e os símbolos do festejo popular evocam a paixão de Tancredo pelo carnaval e anunciam a importância desses ambientes
em sua trajetória cultural e política. Ao conduzir o pavilhão da Estácio de Sá, o casal reafirma a continuidade desse legado, conectando a herança familiar aos fundamentos do samba organizado e à consolidação da Deixa Falar, primeira escola de samba do Brasil.

Concepção do Primeiro Casal: A concepção do Primeiro Casal parte da estética dos antigos carnavais de rua, valorizando o colorido intenso, os adornos efêmeros e as decorações populares que marcaram os cortejos do início do século XX. Esses elementos são traduzidos no figurino, e, em seu característico bailado como herança óbvia e como expressão de alegria, movimento e identidade coletiva. O Mestre-Sala e a Porta-Bandeira dançam como guardiões da memória carnavalesca, apresentando o pavilhão como síntese das.cores, dos ritos e das formas de ocupação simbólica da rua. Sua performance simboliza a paixão de Tancredo e seus familiares pela folia e evidencia o carnaval como espaço de resistência cultural, onde a ancestralidade se manifesta em forma, gesto e celebração, agora, na Marquês de Sapucaí.

Segundo Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Cauã Silva e Manuela Brasil 
Nome da Fantasia: Na Encruzilhada entre Òrun e Àiyé: Trânsito Espiritual
Criação: Marcos Paulo
Confecção: Não Específicado no Livro Abre Alas

O segundo casal representa o orun e o aiyé | Foto: Autor Desconhecido

O que representa: O Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira representa o momento de transição espiritual de Tata Tancredo, situado na encruzilhada simbólica entre Òrun e Àiyé. Essa passagem não é apresentada como ruptura, mas como continuidade da missão, princípio fundamental da cosmologia afro-brasileira e da Umbanda Omolokô. Traduz o trânsito entre os dois mundos, evidenciando o movimento constante do axé, da ancestralidade e da comunicação espiritual. Ao conduzir o pavilhão neste ponto do desfile, o casal simboliza a permissão ritual para a travessia, marcando a entrada no plano espiritual onde se desenvolve o xirê de consagração.

Concepção do Segundo Casal: A concepção do Casal parte da ideia de encruzilhada como espaço de encontro, passagem e equilíbrio. Os figurinos e a coreografia são construídos a partir de movimentos circulares, giros e deslocamentos que sugerem continuidade, fluxo e comunicação entre planos distintos. O Mestre-Sala e a Porta-Bandeira atuam como mediadores simbólicos entre Òrun e Àiyé, apresentando o pavilhão em uma ambiência ritualizada que dialoga com os fundamentos da Umbanda Omolokô. A performance reafirma o casal como guardião do axé em trânsito, conduzindo o desfile para o campo espiritual onde a ancestralidade se manifesta plenamente.


Terceiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Jeferson Pereira e Aline Lima
Nome da Fantasia: Alegria dos Erês
Criação: Marcos Paulo
Confecção: Não Específicado no Livro Abre Alas

O terceiro casal representava a Alegria dos Erês | Foto: Alex Camelo 

O que representa: O Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira representa a presença dos Erês como forças de alegria, renovação e continuidade espiritual. Na cosmologia da Umbanda Omolokô, os Erês simbolizam a infância sagrada, a leveza e a esperança que equilibram o rito e garantem a permanência do axé. Ao conduzir o pavilhão neste momento do desfile, o casal traduz a celebração da vida e a acolhida espiritual de Tata Tancredo, evidenciando que a ancestralidade também se manifesta por meio do riso, do afeto e da pureza.

Concepção do Terceiro Casal: A concepção do Casal valoriza o movimento lúdico e a expressividade corporal inspirada na alegria infantil. A dança privilegia a alegria, deslocamentos fluidos e gestos expansivos, criando uma ambiência festiva e acolhedora. Os figurinos dialogam com o universo dos Erês por meio das cores vivas, do brilho e da delicadeza dos elementos visuais, sem perder a elegância própria do casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. A performance apresenta o pavilhão como símbolo de continuidade espiritual, celebrando a alegria como fundamento do sagrado e como força vital da Umbanda Omolokô.

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