Significado das Fantasias dos Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira da União de Maricá

A magia do Carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.

Quando um casal entra na avenida bem vestido, defendendo com orgulho o seu pavilhão, seja ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que essa magia realmente nos tocou e passou a morar dentro de nós.

Esta é a décima terceira publicação da nossa série sobre os significados das fantasias do Carnaval de 2026. O Observatório dos Casais tem a alegria de, por mais um ano, registrar e preservar a memória dessa arte que atravessa gerações e emociona o público nas arquibancadas e pela transmissão.

Em 2026, seguimos ampliando nosso olhar: além do Grupo Especial, mais uma vez incluímos também os significados das fantasias da Série Ouro, reunindo informações sobre os desfiles realizados no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É motivo de orgulho conseguir compartilhar com o público o valor simbólico que cada fantasia carrega dentro do enredo das escolas.

Como já destacamos no ano passado, os casais da Série Ouro vieram extremamente bem vestidos, o que evidencia o cuidado e o respeito dos carnavalescos e das agremiações com esse quesito tão representativo. Cada detalhe reforça a importância do casal dentro de uma escola de samba: são duas pessoas que empunham um pavilhão que representa uma nação, guarda histórias e carrega a identidade de uma comunidade inteira.

Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias dos casais da União de Maricá, sexta escola a desfilar na sábado de carnaval pela Série Ouro:

A União de Maricá foi a sexta escola a desfilar no dia 14 de fevereiro de 2026, teve como enredo "Berenguendéns e Balangandãs", desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira e abordava a força e a resistência das mulheres negras.

O quadro de casais da escola de Maricá contava com dois casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, sendo o primeiro formado por Fabrício Pires e Giovana Justo e o segundo formado por Luiz Augusto Costa.

Primeiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Fabrício Pires e Giovanna Justo
Nome da Fantasia: Realeza e Identidade
Criação: Leandro Vieira
Confecção: Aquarela Carioca

O primeiro casal vieram representando a Realeza e a Identidade | Foto: Rafael Catarcione

O que representa

Vestindo-se à moda africana, o primeiro casal de mestre sala e porta bandeira ostenta signos de realeza para mencionar o universo estético que o enredo aborda.

Reforçando a ideia de que o uso de joias revela status e poder, o traje emplumado, luxuoso e ornamentado por búzios e joias douradas que veste o primeiro casal impõe a narrativa de empoderamento negro proposta pelo enredo debruçado sobre o balangandã.

Ao exibir o corpo preto como vitrine de luxo, ostentação e beleza - mesmo em meio às limitações raciais de uma sociedade marcada pelo sistema escravocrata – a dupla Giovanna Justo e Fabrício Pires inaugura a narrativa de uma abordagem que nos convida a mergulhar numa história banhada de ancestralidade que une negritude, ancestralidade, devoção, estética, luta e resistência.


Segundo Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Luiz Augusto Costa e Bia Strella
Nome da Fantasia: Luta, Ouro e Orgulho
Criação: Leandro Vieira
Confecção: Aquarela Carioca

O segundo casal representam a luta, ouro e o orgulho | Foto: Alex Ferro

O que representa

De vermelho e dourado, ostentando símbolos de riqueza  e signos de estética afro, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira  Luiz Augusto e Bia Strella lança luz na ideia de que, ao portar joias e cultuar  a beleza e o luxo, o corpo negro transgride e subverte um imaginário racial perverso que associa a negritude à escassez e a falta de recurso.

Nesse contexto, o vermelho que tinge boa parte do figurino reforça a ideia de resistência, combate e luta. O dourado, e os artigos brilhantes que arrematam o visual geral mencionam a riqueza advinda do trabalho e a consequente ascensão social adquirida com o trabalho.


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