Selminha Sorriso representa o Brasil nos EUA

A icônica Porta Bandeira da Beija Flor de Nilópolis, Selminha Sorriso, que está no posto desde o Carnaval de 1996, além de ser presidente da escola mirim do Sonho de um Beija Flor representou o Brasil na inauguração da exposição “Esperança que Saiu da Escuridão”, a primeira escultura de bronze dedicada a Solomon Northup, autor do clássico livro Doze Anos de Escravidão e que ocorreu em Boston, no estado de Massachusetts na última semana.


O convite veio através da Sociedade Carnavalística de Boston, presidida por Johann Corrêa com parceiria com o Centro Indígena Norte Americano (NAICOB) e que tem como liderança, o professor do MIT (Massachusetts Institute Of Technology), Jean-Luc Pierite. As instituições convidaram duas personalidades que tem destaque na luta contra o racismo e na valorização da cultura afrodescendentes: a primeira foi a Porta Bandeira Selminha Sorriso, que é  educadora antirracista e pós graduanda em história e cultura afro brasileira e Stefany Lucca, rainha do carnaval de Mobile, no Alabama, descendente de africanos trazidos no Clotilde, o último navio negreiro a chegar ilegalmente aos Estados Unidos.

Durante a cerimônia, realizada no parque linear Rose Kennedy Greenway, Selminha foi a responsável por colocar a tocha simbólica nas mãos da escultura. A obra foi criada pelo artista Wesley Wofford, segue em exibição até 10 de dezembro, no Boston Harbor Islands Welcome Center.

Além da homenagem, a Porta Bandeira participou de uma aula sobre tecnologia e reforma urbanística ministrada pelo professor Jean-Luc Pierite, onde falou sobre a formação das comunidades nos morros do Rio de Janeiro e o impacto das reformas de Pereira Passos (1902–1906), que expulsaram populações pobres do centro da cidade.

“Foi emocionante representar o Brasil em um momento tão simbólico. Falei sobre a história das nossas comunidades e sobre a importância de políticas públicas que garantam água potável, saneamento e moradia digna. É um orgulho poder mostrar como o samba, a educação e a cultura popular também são formas de resistência e esperança”, afirmou Selminha.

Com sua presença, a porta-bandeira levou a voz da cultura brasileira e da luta antirracista a um dos mais importantes espaços internacionais dedicados à memória, arte e justiça social, reforçando o papel do Carnaval como expressão viva da ancestralidade e da educação.
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