Por Vitória de Moraes
A magia do carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.
Quando é visto que um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira está bem vestido defendendo seu pavilhão, sendo ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que de fato, essa magia nos tocou e entrou dentro de nós.
Retornamos a Série de Significados de Fantasias dos Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
Como dito na série dos casais da Série Ouro, todos os casais que passaram pelo o Grupo Especial vieram muito bem vestidos, o que mostrou o cuidado e o bom grado que os carnavalescos das doze escolas do grupo tiveram com seus casais, mostrando a real importância que duas pessoas tem dentro de uma escola de samba: a importância de empulhar um pavilhão que representa uma nação e guarda histórias importântíssima para um grupo específico.
Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias dos casais da Terceira Escola á desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na terceira noite de desfiles do Grupo Especial:
O G.R.E.S Acadêmicos do Grande Rio foi a terceira escola a desfilar no dia 4 de março de 2025 e foi pra avenida com o enredo Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós, desenvolvido pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, em uma homenagem ao estado do Pará através de seus mistérios, lendas e religiosidade.
O quadro de Casais da escola de Duque de Caxias era composto de dois casais e um quadro de Casais, sendo o primeiro formado do Daniel Werneck e Taciana Couto e o segundo formado por Andrey Ricardo e Thauanny Xavier.
Primeiro Casal: Daniel Werneck e Taciana Couto
Nome do Figurino do Primeiro Casal: As Águas do Meus Encantos
Criação do Figurino: Gabriel Haddad e Leonardo Bora
Confecção: Aquarela Carioca
Significado do Figurino:
O início de “Quatro Contas”, composição de Dona Onete que exalta as Princesas Turcas (Mariana, Herondina e Jarina) e a Cabocla Jurema, nos conduz pelas águas onde os Encantados bailam e a energia ancestral pulsa, vibra e cintila. A fonte da vida – sem água não há ritos, mitos, transformações. Daniel
Werneck e Taciana Couto representam a magia que conduz o pavilhão da escola caxiense aos portais da Encantaria. Nobreza submarina, realeza que flutua. As tonalidades esverdeadas (mistura de verde água, verde esmeralda, tiffany e turquesa) e os materiais decorativos tem por inspiração peças de joalheria
confeccionadas com pérolas, conchas, algas e escamas: conta a tradição da Pajelança que é um peixe iluminado o ser que permite o trânsito entre o mundo real e o Mundo do Encante. Os nossos sereianos bailam, altivos, guardando a certeza da perpetuação do Samba, oceano que se renova, e a sutileza das
misturas – ondas que giram e encantam o público, feito as sereias dos Carimbós. Afinal, como cantou Mestre Verequete... “da cintura pra baixo eu sou peixe, da cintura pra cima eu sou gente!”
Segundo Casal: Andrey Ricardo e Thauanny Xavier
Nome do Figurino do Segundo Casal: Matinta Pereira e Rasga Mortalha
Criação do Figurino: Gabriel Haddad e Leonardo Bora
Confecção: Aquarela Carioca
Significado do Figurino:
O sortilégio paira no ar! O segundo casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Grande Rio, nas cores da escola, representa o fascínio provocado por dois seres encantados que adquirem a forma de corujas:
Matinta Perera e Rasga-Mortalha. Matinta é uma personagem muito expressiva, cujos arquétipos levantam discussões sobre feminilidade e bruxaria – dizem que é uma velha que pede fumo aos passantes, transformando-se em ave de rapina, nas noites de lua cheia. Rasga-Mortalha é um ser temido, uma vez que o seu piar seria o prelúdio de um mau agouro - ou mesmo da morte (daí o nome tão poderoso).
O que o enredo conta, no entanto, é que só devem temer os Encantados aqueles que não se mostram abertos a compreendê-los. Matinta e Rasga-Mortalha também são protetores da floresta, defensores dos bichos, das árvores e das águas, afugentando apenas quem pretende violar o Reino da Encantaria.
Ala de Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira
Nome do Figurino do Terceiro Casal: Bárbara Soeira e Caboclo Sultão
Criação do Figurino: Gabriel Haddad e Leonardo Bora
Confecção: Julio Vieira e Ferrulla Muniz
Significado do Figurino:
O grupo de casais de Mestres-Sala e Porta-Bandeiras mirins da Tricolor de
Caxias performa o bailado de duas entidades muito celebradas na Mina
paraense, saudadas quando das festas dedicadas às Princesas Turcas.
Bárbara Soeira é uma Rainha cultuada na Mina, sincretizada com Santa
Bárbara e Iansã – origem da “curimba de Babaçuê” mencionada no Samba
de Enredo, mistura de Candomblés, Pajelanças e Terecôs.
Já o Caboclo Sultão ou Sultão das Matas é uma entidade que expressa a
mistura entre as cosmovisões indígenas e a presença do imaginário mouro,
ligado às letras islâmicas do Alcorão, em terras amazônicas – o nome,
afinal, não deixa mentir. Nos terreiros paraenses, Sultão se apresenta
usando cocar e dentes de onça; é valente e forte, muito orgulhoso da sua
coragem. As bandeiras desfraldadas, seguindo a tradição iniciada em 2020,
exibem artes concebidas a convite dos carnavalescos – no caso, uma leitura
muito particular das Três Princesas pintada por João Boto, artista paraense
que vive no Rio de Janeiro. O girar da juventude, os ventos do Samba-
futuro.