Por Vitória de Moraes
A magia do carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.
Quando é visto que um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira está bem vestido defendendo seu pavilhão, sendo ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que de fato, essa magia nos tocou e entrou dentro de nós.
Este é a última publicação da nossa série sobre os significados das fantasias do Carnaval de 2025, que adoramos compartilhar com vocês. Neste ano, tivemos o prazer de incluir também os significados das fantasias da Série Ouro, reunindo informações sobre os desfiles dos cinco dias na Marquês de Sapucaí e as 28 escolas que participaram. Fico muito feliz em encerrar mais uma série, pois eu mesma relembro o significados das fantasias dos casais meses após o fim dos desfiles e vejo como esse casal me encantou quando vi ao vivo.
Como dito na série dos casais da Série Ouro, todos os casais que passaram pelo o Grupo Especial vieram muito bem vestidos, o que mostrou o cuidado e o bom grado que os carnavalescos das doze escolas do grupo tiveram com seus casais, mostrando a real importância que duas pessoas tem dentro de uma escola de samba: a importância de empulhar um pavilhão que representa uma nação e guarda histórias importântíssima para um grupo específico.
Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias dos casais da quarta escola e última escola desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na terceira noite de desfiles do Grupo Especial:
O G.R.E.S Portela foi a última escola a pisar na Sapucaí depois de cinco dias de desfile. A escola de Oswaldo Cruz e Madureira veio com o enredo "Cantar será buscar o caminho que vai dar no sol – Uma homenagem a Milton Nascimento", uma homenagem ao legado e a história do cantor, compositor e múlti-instrumentista Milton Nascimento e foi desenvolvido pelos carnavalescos Antônio Gonzaga e André Rodrigues.
O quadro de casais de Mestre Sala e Porta Bandeira da Azul e Branco era composto por três casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, sendo o primeiro formado por Marlon Lamar e Squel Jorgea, o segundo formado por Emanuel Lima e Thainara Matias e o terceiro casal formado por Vinicius Jesus e Osanna Baptista.
Primeiro Casal: Marlon Lamar e Squel Jorgea
Nome do Figurino do Primeiro Casal: É Feito Uma Reza, Um Ritual
Criação do Figurino: André Gonçalves e Antônio Gonzaga
Confecção: Não Especificado
Significado do Figurino:
Era o povo na rua cantando, benditos peregrinos guiados pelos versos de Milton e decididos a enfrentar tantas emoções, todas tão profundas e desmedidas quanto aquela romaria. Feito uma reza, um ritual em busca de proteção, a procissão do samba evocou São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição, os dois santos padroeiros da Portela, para conduzirem a tua bandeira, esse divino manto. Com o pavilhão elevado, o guerreiro santificado e a sagrada rainha giravam, ostentosos e triunfais, como uma dádiva feita para iluminar a maravilha de aquarela que cantava o amor do portelense pelo seu símbolo maior e pela luz do Sol, gente que vinha chegando da cidade, da favela, de cada canto do mundo, e que não parava de chegar, a cada giro, a cada aceno do casal consagrado, todos exultantes como fiéis em festa. Como fiéis na festa do divino carnaval.
Defesa da Coreografia do Casal
A coreografia do casal de mestre-sala e porta-bandeira do GRES Portela, é norteada pelos princípios que servem de base para o bailado de um casal. Buscando trazer, em sua essência, a representação do tradicionalismo de uma história centenária, com a responsabilidade e respeito ao pavilhão. Nesse
caminho, considerando a essência do tradicionalismo das representações dentro da fé portelense materializada e santificada junto aos seus padroeiros, a coreografia do casal vem com características que buscam olhar e priorizar os movimentos tradicionais da dança da porta bandeira e do mestre sala em conjunto com suas evoluções técnicas. Ao pensarmos na coreografia, nos preocupamos em ter a presença de movimentos onde o mestre-sala, dentro dos seus princípios que norteiam o quesito, protege e corteja a sua dama, alternando com riscados ágeis e habilidosos que fundamentam a história. E, a porta bandeira ratificando o seu papel com o sagrado feminino, no conjunto de giros que buscam a valorização do seu bailado com a ocupação do espaço cênico e dos movimentos executados durante a sua evolução.
Juntos, com o olhar um no outro, apaixonados e cuidadosos, o casal busca e prioriza os movimentos de finalizações de dança vibrantes e elegantes, pautados no lirismo e na poesia do seu samba e enredo. E através da dança, a demonstração da potência de um povo que acredita na vida e no prazer de dançar e defender o seu pavilhão.
Segundo Casal: Emanuel Lima e Thainara Matias
Nome do Figurino do Segundo Casal: Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor?
Criação do Figurino: André Gonçalves e Antônio Gonzaga
Confecção: Não Especificado
Significado do Figurino:
Enquanto a Portela fazia o sonho acontecer estrada afora, ela e ele tocaram as bordas da procissão vestindo a mesma quimera, amarela como o sol. E o mundo lá, sempre a rodar, até que se olharam, sorriram… e, dentro de ambos, tudo parou. Perceberam seus corações baterem mais forte, antes por Milton, e dessa vez também um pelo outro. Arrebatados por uma vontade irresistível de viver, se entregaram ao aceno de um beijo de paz que selou o encontro de quem nasceu para caminhar juntos até o afago do anjo negro. Quem sabe isso quer dizer amor?
Terceiro Casal: Vinícius Jesus e Osanna Baptista
Nome do Figurino do Terceiro Casal: Juntar Todas as Forças pra Vencer Essa Maré
Criação do Figurino: André Gonçalves e Antônio Gonzaga
Confecção: Não Especificado
Significado do Figurino:
Por mais que a aflição insistisse em varrer os peregrinos do rumo da fé, todas aquelas pessoas eram intensamente obstinadas. A lama nas ruas uniria o povo em torno do casal que protegia o centenário pavilhão portelense, uma vigorosa luz em meio ao nada. Estavam todos ali por um motivo majestoso, pela grande travessia de suas vidas, e isso bastava para seguirem andando por estradas e avenidas, enfrentando o horror, o desconhecido, o que não dá mais pé. Confiante, o casal a empunhar o farol azul e branco daria as mãos e seguiria em frente, se unindo às forças das gentes resolvidas a serem tocadas pelo calor do rei Sol.