Neste 7 de Setembro, o Observatório dos Casais relembra um desfile que trouxe uma outra perspectiva sobre a Independência do Brasil.
Em 2023, ano do bicentenário da Independência, a Beija-Flor de Nilópolis levou para a Marquês de Sapucaí o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência”, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues.
A escola partiu do tradicional 7 de Setembro de 1822, mas foi além da história conhecida do Grito do Ipiranga. O desfile também destacou as lutas que aconteceram em outras partes do país, principalmente na Bahia, onde a Independência foi consolidada em 2 de julho de 1823.
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| Claudinho e Selminha Sorriso representaram o Encantamento Caboclo no desfile de 2023 | Foto: Diego Mandes / Rio Carnaval |
É nesse contexto que aparece o caboclo, figura muito presente nas comemorações do Dois de Julho. Ele representa os povos originários e se tornou um dos símbolos da Independência da Bahia. A figura também ganhou força dentro das religiões afro-brasileiras, especialmente nos terreiros de candomblé e umbanda, carregando sentidos ligados à ancestralidade, à natureza e à terra.
Essa simbologia chegou ao primeiro casal da Beija-Flor. Selminha Sorriso e Claudinho Souza desfilaram com a fantasia “Encantamento Caboclo”, descrita como um “ponto riscado no terreiro sagrado da Sapucaí”.
A proposta era levar para a Avenida a força da ancestralidade e dos saberes que atravessam a história brasileira. O caboclo, que nas ruas da Bahia aparece conduzindo simbolicamente as comemorações do Dois de Julho, também guiava o casal na Sapucaí, dessa vez com um sentido espiritual.
As chamadas “flechas invisíveis dos caboclos” representavam essa proteção e esse direcionamento. A fantasia aproximava o Carnaval de tradições, da fé e de uma memória que também faz parte da história brasileira.
A escolha dialogava diretamente com a função de Selminha e Claudinho. Como primeiro casal, os dois têm a responsabilidade de conduzir, proteger e apresentar o pavilhão da Beija-Flor. Em 2023, fizeram isso vestidos de caboclos, dentro de um enredo que buscava olhar para a Independência por outros caminhos.
Selminha e Claudinho completavam naquele Carnaval 31 anos de parceria. A dupla começou a dançar junta em 1992, no Estácio de Sá, e chegou à Beija-Flor em 1996.
Naquele desfile, o pavilhão azul e branco foi conduzido por um casal que já fazia parte da história da escola, acompanhado pela representação do caboclo, símbolo da Independência da Bahia e carregado de significados ligados à ancestralidade brasileira.
Neste 7 de Setembro, revisitar a Beija-Flor de 2023 é lembrar que a Independência do Brasil não se resume ao 7 de Setembro de 1822. O Carnaval também abriu espaço para outros personagens, outros lugares e outras memórias dessa história.
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