Análise dos Casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Beija Flor de Nilópolis

Numa noite de embate direto entre o samba 1 e o samba 39, a escola de Nilópolis escolheu fazer uma junção entre os dois sambas finalistas, sendo a maior parte vencedora o samba 39, somente o refrão de baixo do Samba 01. A Beija-Flor de Nilópolis realizou, como já é tradição, sua final em uma quinta-feira, rompendo com o costume de muitas escolas que reservam os fins de semana para o anúncio e reafirmou sua potência rumo ao Carnaval de 2026.

Com o enredo “Bembé”, desenvolvido pelo carnavalesco João Victor Araújo, a azul e branca da Baixada levará à Marquês de Sapucaí a história do Bembé do Mercado, considerado o candomblé mais antigo do mundo e o único celebrado nas ruas. O ritual foi fundado em 13 de maio de 1889, data da Abolição da Escravatura e também do Dia das Almas ou de Preto Velho para os praticantes das religiões de matriz africana. Nascido em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, o Bembé foi criado por João de Obá para celebrar a liberdade recém-conquistada, homenagear os orixás e ofertar presentes à Mãe d’Água.

O evento de fato começou por volta da meia noite, quando a Beija-Flor apresentou ao público que lotava a quadra em Nilópolis o enredo que levará à Marquês de Sapucaí no próximo Carnaval. Logo após, a escola prestou uma homenagem ao presidente Almir Reis, destacando a relevância de sua trajetória e o papel fundamental que exerce na condução da agremiação.

Em seguida à apresentação do enredo, os novos intérpretes da escola, Nino do Milênio e Jéssica Martin, assumiram o microfone para cantar os sambas que marcaram a trajetória da Beija-Flor. A dupla carrega a responsabilidade de suceder o icônico Neguinho da Beija-Flor, que por cinco décadas foi a voz oficial da agremiação.

Claudinho e Selminha são o mais longevo casal da Beija Flor e dos desfiles da era moderna | Foto: Site Carnavalesco

Ao som do samba exaltação da escola, o icônico casal Claudinho e Selminha Sorriso iniciou sua apresentação. Reconhecidos como o mais longevo par de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Beija-Flor — e também da era da Marquês de Sapucaí — eles dançam juntos desde 1992 e, desde 1996, têm a missão de defender o primeiro pavilhão da escola. Uma trajetória impecável e irretocável, sendo eles, um dos Casais mais admirados e respeitados do carnaval ainda em atividade 

Durante a apresentação, Claudinho e Selminha confirmaram a maturidade e a sintonia conquistadas em mais de três décadas de parceria. A leveza do bailado de Selminha, sempre acompanhada do sorriso que lhe rendeu o apelido, contrasta e, ao mesmo tempo, se completa com a firmeza e a precisão de Claudinho, que conduz a dança com segurança e elegância em cada movimento. O casal domina o espaço que lhes é dado com naturalidade, valorizando giros amplos e bem finalizados, que ressaltam a importância do pavilhão que carregam. Ícones do carnaval, eles apostam na tradição, na fluidez e na troca de olhares, transmitindo ao público a essência e a segurança da dança de um casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Vê-los em cena é presenciar uma verdadeira aula de tradição e a história sendo escrita a nossos olhos.

Após a apresentação dos segmentos ao som do icônico samba-enredo “A Saga de Agotime, Maria Mineira Naê”, de 2001, o Segundo e o Terceiro Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Beija-Flor de Nilópolis entraram em cena. David Sabiá e Fernanda Lhove foram os primeiros, seguidos por Hugo Almeida e Eliana Fidellys, ao som do samba-enredo “Macapaba: Equinócio Solar, Viagens Fantásticas ao Meio do Mundo”, de 2008 — ano em que a escola conquistou mais um título e se consagrou bicampeã.

David Sabiá e Fernanda Lhove, como de costume, protagonizaram uma apresentação marcada por admirável sintonia, técnica apurada e uma profunda conexão. David reafirmou sua elegância e firmeza na condução de sua Porta-Bandeira, com quem completará quatorze anos de parceria no próximo ano. Demonstrou movimentos precisos, respeitosos e reverentes ao Segundo Pavilhão da escola de Nilópolis.


David e Fernanda no final da Beija Flor de Nilópolis | Foto: Site Carnavalesco

Fernanda é conhecida por ter uma dança que combina força e suavidade de uma forma natural. Essa característica ficou ainda mais evidente durante a sua apresentação na final de samba enredo. Sua postura e movimentos transmitiram com sensibilidade a essência da história, mostrando que ela tem um excelente domínio técnico e uma interpretação bastante delicada.

A sintonia eles ficou bem perceptível e cativante, fazendo do um dos pontos altos da. Com elegância, graça e emoção eles mostraram com talento os símbolos da dança do casal de Mestre Sala e Porta Bandeira e da tradições da Beija Flor de Nilópolis.

Depois, Hugo Almeida e Eliana Fidellys também fizeram uma apresentação que chamou atenção. O terceiro casal mostrou força e leveza ao mesmo tempo, com uma dança marcada por gestos amplos e bem sincronizados. Hugo conduziu com firmeza e respeito, com movimentos bem definidos e uma presença no palco que reforçava o significado do pavilhão. Já Eliana encantou com sua elegância e segurança, apresentando uma dança fluida e cheia de expressão, transmitindo claramente os elementos do tema.

Devido a ausência de imagem da final, ilustramos a imagem do ensaio técnico de 2024 de Hugo e Eliana | Foto: Nobres Casais

Juntos, o terceiro casal trouxe solidez e beleza à narrativa da escola, fortalecendo a proposta estética e temática de "Macapaba". Sua apresentação, com sensibilidade e técnica, complementou o trabalho dos casais anteriores, preservando o elevado padrão de excelência requerido por um desfile grandioso.

O Quadro de Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira da Beija Flor de Nilópolis se consolida a cada ano como um dos grandes casais do carnaval carioca, tendo Mestres Salas e Porta Bandeiras que mostra o porque tantos anos são grandes referências no quesito.

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