Significado das Fantasias dos Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira da Unidos da Tijuca

A magia do Carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.

Quando um casal entra na avenida bem vestido, defendendo com orgulho o seu pavilhão, seja ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que essa magia realmente nos tocou e passou a morar dentro de nós.

Esta é a vigésima terceira publicação no geral e a oitava do Grupo Especial da nossa série sobre os significados das fantasias do Carnaval de 2026. O Observatório dos Casais tem a alegria de, por mais um ano, registrar e preservar a memória dessa arte que atravessa gerações e emociona o público nas arquibancadas e pela transmissão.

Em 2026, seguimos ampliando nosso olhar: além do Grupo Especial, mais uma vez incluímos também os significados das fantasias da Série Ouro, reunindo informações sobre os desfiles realizados no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É motivo de orgulho conseguir compartilhar com o público o valor simbólico que cada fantasia carrega dentro do enredo das escolas.

Como já destacamos no ano passado, os casais do Grupo Especial vieram extremamente bem vestidos, o que evidencia o cuidado e o respeito dos carnavalescos e das agremiações com esse quesito tão representativo. Cada detalhe reforça a importância do casal dentro de uma escola de samba: são duas pessoas que empunham um pavilhão que representa uma nação, guarda histórias e carrega a identidade de uma comunidade inteira.

Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias dos casais da Unidos da Tijuca, quarta e última escola a desfilar na Segunda Feira de carnaval pelo Grupo Especial:

A Unidos da Tijuca foi a quarta escola a desfilar segunda-feira de Carnaval, no 16 de fevereiro de 2026, com o enredo “Carolina Maria de Jesus”, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira, que homenageia a trajetória de uma das grandes escritoras brasileiras, famosa por escrever o livro "Quarto de Despejo". 

O quadro de casais da escola da Tijuca era composto por três casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, sendo o primeiro formado pelo casal Matheus Miranda e Lucinha Nobre, o segundo formado por Rafael Gomes e Thayanne Loureiro e o terceiro formado por Breno Alexandre e Daphny Mirelly.

Primeiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Matheus Miranda e Lucinha Nobre
Nome da Fantasia: Esse é o Nosso Jeito de Escrever
Criação: Edson Pereira
Confecção: Não Especificado no Livro A-A

A indumentária do Primeiro Casal representava a autoria do enredo da escola | Foto: Eduardo Hollanda

O que Representa:
O Primeiro Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Unidos da Tijuca traja, excepcionalmente, fantasia tradicionalíssima referenciada em sua própria identidade visual. O objetivo é representar o autoria do enredo sobre Carolina Maria de Jesus, como se colocássemos a nossa assinatura de Escola de Samba
sobre a história, uma praxe no campo literário quando tratamos do autor de uma biografia.

Assim, o título da fantasia do Primeiros Casal traz o título "Unidos da Tijuca apresenta", reforçando a identidade de um recorte do passado para as aberturas de desfile, quando os casais não eram adaptados ao enredo e representavam a agremiação. Essa volta no tempo, pretende reforçar o peso de uma escola quase
centenária como expoente na contribuição cultural brasileira, como aquela que apresenta o espetáculo criado por ela com o orgulho de sua mensagem.

E para acompanhar a pompa do momento, o figurino do par evoca elementos clássicos de luxo para materializar a figura do pavão, como se nossa bandeira adentrasse a avenida carregada por seu próprio símbolo em trajes de gala. Nas mãos do Mestre-Sala, guardião daquela que porta o pavilhão sagrado tijucano, uma caneta tinteiro dá o toque sutil de nossa odisseia literária, do nosso jeito de escrever e assinar o carnaval.

Nota¹: Desde o final dos anos 1970, a maior parte das Escolas de Samba passou a caracterizar por completo seus primeiros casais dentro do enredo.

Segundo Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Rafael Gomes e Thayanne Loureiro
Nome da Fantasia: Cultuando Jornalistas e Jornais – A Gratidão aos Períodicos
Criação: Edson Pereira 
Confecção: Não Especificado no Livro A-A

O segundo casal veio representando a gratidão de Carolina aos Jornais | Foto: Karen Eppinghaus

O Que Representa:
O Segundo Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira adentra a avenida ilustrando o apreço de Carolina Maria de Jesus pelas redações e jornalistas nos tempos de fama após o lançamento de Quarto de Despejo. Vivendo um sonho de vedete e escritora, Carolina ressaltava a elegância dos senhores da imprensa e os colocava em lugar divino, peregrinando redações e elogiando o trabalho dos que a colocavam sempre em evidência. Ela agradecia constantemente os repórteres e os recebia com entusiasmo.

A fantasia ilustra essa visão redentora de Carolina sobre os jornais, colocando num plano quase sagrado os jornalistas e os periódicos. Símbolos do amanhecer diário, pois eram entregues pela manhã, os materiais jornalísticos representam também a esperança de ver sorrir uma possibilidade em cada
amanhecer para a autora.

Nota¹: o lançamento do livro Quarto de Despejo alçou Carolina ao status de notícia. As reportagens sobre ela e sua obra constituem um rico acervo documental.

JESUS, Carolina Maria de. Meu sonho é escrever... contos inéditos e outros escritos. Org. Raffaella Fernandez. 1. ed. São Paulo: Ciclo Contínuo Editorial, 2018.

Terceiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Breno Rodrigues e Daphny Mirelly
Nome da Fantasia: Exaltando a Nobreza do Saber - A Crença no Valor do Aprendizado
Criação: Edson Pereira
Confecção: Não Especificado no Livro A-A

O terceiro casal veio representando o Valor do Aprendizado | Foto: Karen Eppinghaus

O que Representa:
Diretamente da nossa Escola de Samba Mirim Tijuquinha do Borel, o Terceiro Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira adentra a avenida trazendo a nobreza de aprender. Em seus escritos, Carolina Maria de Jesus exaltava o aprendizado e a educação como símbolos de virtude e honra. Se não predominar a educação entre os homens, eles jamais serão felizes [...] ...as pessoas cultas que adquirem conhecimento do seu grau intelectual têm capacidade para ver dentro de si - dizia a autora em Brasil para Brasileiros, manuscrito que compõe parte do Diário de Bitita.

O figurino ilustra essa nobreza da educação para Carolina, transfigurando na saia da Porta-Bandeira mirim os lápis e livros, que surgirão também na roupa de nosso Mestre-Sala mirim. O ar encantado e nobre da roupa, traduz a ideia de uma elevação através dos saberes, exaltados pela autora como essenciais para as boas virtudes.

JESUS, Carolina Maria de. Diário de Bitita. 2. ed. Sacramento, MG: Bertolucci, 2007.
JESUS, Carolina Maria de. Casa de alvenaria. v. 1: Osasco. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
JESUS, Carolina Maria de. Casa de alvenaria. v. 2: Santana. São Paulo: Companhia das Letras, 2021
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