Significado das Fantasias dos Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira do Acadêmicos do Grande Rio

A magia do Carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.

Quando um casal entra na avenida bem vestido, defendendo com orgulho o seu pavilhão, seja ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que essa magia realmente nos tocou e passou a morar dentro de nós.

Esta é a vigésima sexta publicação no geral e a décima primeira do Grupo Especial da nossa série sobre os significados das fantasias do Carnaval de 2026. O Observatório dos Casais tem a alegria de, por mais um ano, registrar e preservar a memória dessa arte que atravessa gerações e emociona o público nas arquibancadas e pela transmissão.

Em 2026, seguimos ampliando nosso olhar: além do Grupo Especial, mais uma vez incluímos também os significados das fantasias da Série Ouro, reunindo informações sobre os desfiles realizados no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É motivo de orgulho conseguir compartilhar com o público o valor simbólico que cada fantasia carrega dentro do enredo das escolas.

Como já destacamos no ano passado, os casais do Grupo Especial vieram extremamente bem vestidos, o que evidencia o cuidado e o respeito dos carnavalescos e das agremiações com esse quesito tão representativo. Cada detalhe reforça a importância do casal dentro de uma escola de samba: são duas pessoas que empunham um pavilhão que representa uma nação, guarda histórias e carrega a identidade de uma comunidade inteira.

Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias dos casais do Acadêmicos do Grande Rio, Terceira Escola a desfilar na Terça Feira de carnaval pelo Grupo Especial:

O Acadêmicos do Grande Rio será a terceira escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, no dia 17 de fevereiro de 2026 com o enredo “A Nação do Mangue”, desenvolvido pelo carnavalesco Antônio Gonzaga. O desfile prestava homenagem a Chico Science e ao movimento Manguebeat, surgido no Recife como uma expressão de contracultura com forte crítica social.

O quadro de casais da escola de Duque de Caxias era composto por dois casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, sendo o primeiro formado por Daniel Werneck e Taciana Couto e o segundo formado por Andrey Ricardo e Thauanny Xavier, além do quadro de Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira.

Primeiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Daniel Werneck e Taciana Couto
Nome da Fantasia: O Bailado Nupcial dos Mangues
Criação: Antônio Gonzaga 
Confecção: Ateliê Aquarela Carioca 

O primeiro casal da Grande Rio representa o Bailado Nupcial do Mangue | Foto: João Salles

O que Representa
“Afirmava Chico, com ares de entendido, que enquanto permanecem debaixo d'água, os mangues consagram todo o seu tempo a fazer amor (...) Chico afirmava ter mesmo escutado, certas noites, o bailado nupcial dos mangues no fundo das águas”

Homens e Caranguejos, Josué de Castro

Numa visão poética, em seu romance “Homens e caranguejos”, o escritor Josué de Castro conta que, quando a noite cai e a maré sobe, os mangues dançam, se entrelaçam, fundem seus galhos e troncos, com intensa volúpia.

É o bailado nupcial dos mangues - um ritual de amor, que gera vida e fecunda novas terras, nascidas do ventre das águas.

O bailar do Mestre-Sala e da Porta-Bandeira emana essa energia vital. Trajados com o roxo de Nanã Buruquê, senhora da lama, orixá feminina que molda o barro criador; adornados com as raízes-veias do mangue ancestral; o casal, em sua dança, pulsa a vida que vai irradiar por todo o cortejo.

A Nação do Mangue nasce do axé emanado pelos guardiões do nosso pavilhão.

Segundo Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Andrey Ricardo e Thauany Xavier
Nome da Fantasia: Realezas do Maracatu
Criação: Antônio Gonzaga 
Confecção: Ateliê Aquarela Carioca 

O segundo casal reprsenta a Realeza do Mangue | Foto: Bianca Santos

O que Representa
“Quem segura o porta-estandarte tem a arte”
Maracatu Atômico, Nação Zumbi

Nossos guardiões do segundo pavilhão homenageiam o Maracatu Nação, ou Maracatu de Baque Virado, uma tradição carnavalesca e de resistência que remete às coroações de reis e rainhas africanas. Os blocos de maracatu reencarnam as nações que foram subjugadas à escravidão, mas sobreviveram e influenciaram de forma decisiva a cultura pernambucana e brasileira.

A tradição também guarda importante sentido afrorreligioso: os instrumentos musicais utilizados durante os cortejos são consagrados em cerimônias realizadas em terreiros e espaços de culto de matriz africana, ritualizados como instrumentos portadores de axé. Apenas a consagração fornece a força necessária para condução do cortejo.

As cores da fantasia remetem a um dos mais tradicionais grupos de maracatu de Recife, a Nação Porto Rico. São também as cores da Grande Rio. Samba e maracatu irmanados para reafirmar a realeza de negros e negras que, com seus braços, ajudaram a erguer este país.

Ala de Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira
Nome da Fantasia: Mangueboys e manguegirls
Criação: Antônio Gonzaga 
Confecção: Julio Vieira
A ala de casais da Grande Rio representava o Manguegirls e mangueboy | Foto: Nobres Casais

O que Representa:

“É só uma cabeça equilibrada em cima do corpo
Procurando antenar boas vibrações
Preocupando antenar boa diversão
Sou, sou Mangueboy”

Antene-se, Nação Zumbi

Nossos casais mirins bailam como os mangueboys e as manguegirls, que procuravam antenar boas vibrações, captar os sinais globais, transmitir os sons locais. Representam todos aqueles jovens, meninos e meninas, que de Recife foram satélite para o Brasil e o mundo.

A antena parabólica, que integra o desenho dos figurinos dos casais, é um dos grandes símbolos do manguebeat, acionado pelos artistas do movimento desde o seu princípio. Com este signo - as antenas que deveriam ser fincadas na lama os artistas buscavam se manter em sintonia com o mundo exterior, sem perder o contato com suas raízes. A antena traduz ainda o sentido tecnológico e futurista presentes no movimento, que desconhecia fronteiras espaciais e temporais.

No verso das bandeiras ostentadas pelos casais, relembramos algumas capas de discos emblemáticos produzidos por esta geração de mangueboys e manguegirls, de grupos que possuem importância histórica para o movimento. Estão representadas graficamente nove álbuns, das bandas Cascabulho, Comadre Fulozinha, Eddie, Faces do Subúrbio, Lamento Negro, Mestre Ambrósio, Mundo Livre S/A, Nação Zumbi e ViaSat.

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