Significado das Fantasias dos Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira da Imperatriz Leopoldinense

A magia do Carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.

Quando um casal entra na avenida bem vestido, defendendo com orgulho o seu pavilhão, seja ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que essa magia realmente nos tocou e passou a morar dentro de nós.

Esta é a décima sétima publicação no geral e a segunda do Grupo Especial da nossa série sobre os significados das fantasias do Carnaval de 2026. O Observatório dos Casais tem a alegria de, por mais um ano, registrar e preservar a memória dessa arte que atravessa gerações e emociona o público nas arquibancadas e pela transmissão.

Em 2026, seguimos ampliando nosso olhar: além do Grupo Especial, mais uma vez incluímos também os significados das fantasias da Série Ouro, reunindo informações sobre os desfiles realizados no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É motivo de orgulho conseguir compartilhar com o público o valor simbólico que cada fantasia carrega dentro do enredo das escolas.

Como já destacamos no ano passado, os casais do Grupo Especial vieram extremamente bem vestidos, o que evidencia o cuidado e o respeito dos carnavalescos e das agremiações com esse quesito tão representativo. Cada detalhe reforça a importância do casal dentro de uma escola de samba: são duas pessoas que empunham um pavilhão que representa uma nação, guarda histórias e carrega a identidade de uma comunidade inteira.

Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias dos casais da Imperatriz Leopoldinense, segunda escola a desfilar no domingo de carnaval pelo Grupo Especial:

O G.R.E.S Imperatriz Leopoldinense foi a segunda escola a desfilar no dia 15 de fevereiro de 2026. A escola veio com o enredo "Camaleônico", uma homenagem cantor, interprete e dançarino Ney Matogrosso e será desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.

O quadro de casais da escola de Ramos era composto por dois casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, sendo o primeiro formado por Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro e o segundo formado por Yuri Souza e Laryssa Victória.

Primeiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro
Nome da Fantasia: O Homem Bicho e o Pássaro Mulher 
Criação: Leandro Vieira 
Confecção: Não Especificado no Livro A-A

A fantasia do primeiro casal representava Homem Bicho e Pássaro Mulher | Foto: Alex Ferro

O que Representa:

Inseridos no setor batizado “MEIO HOMEM, MEIO BICHO” a dupla que forma o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do GRESIL se apresenta como uma criatura fantástica que mistura aspectos humanos e animais em hibridismo. Ambos estão inseridos no universo das performances de Ney Matogrosso cujos figurinos são interpretações artísticas de animais para a criação de um ambiente de transgressões estéticas em constante estado de transformação.

Nesse contexto, o mestre-sala se exibe como uma espécie de fauno. Uma criatura primitiva e animalesca que se enfeita com ossos, chifres, crinas e pelos animais. Do mesmo modo, a porta-bandeira se apresenta como uma criatura hibrida e fantástica. Bicho-feminino. Um pássaro mulher de asas presas aos braços que dança.

Juntos, O HOMEM-BICHO E O PÁSSARO-MULHER são visões delirantes e possíveis para o corpo performático de um artista que, como nenhum outro, fez da ousadia estética uma forma de expressão traduzida em manifesto político de caráter performático sobre o direito de querer ser quem se é, mas também de ser aquilo que se deseja ser.

Segundo Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Yuri Souza e Larissa Victória
Nome da Fantasia: Bandido Corazón
Criação:  Leandro Vieira 
Confecção: Não Especificado no Livro A-A

A indumentária do segundo casal significa o Bandido Corazón| Foto: Nelson Malfacini
O que Representa:

O conjunto visual e o conceito narrativo que orienta a visualidade e a inserção do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira no desfile estão inseridos no contexto de transgressões assumidas pelo artista junto ao universo do álbum BANDIDO (lançado em outubro de 1976). Como pode ser observado, o mestre-sala incorpora a indumentária característica utilizada pelo homenageado ao personificar uma ideia de marginalidade como manifesto estético subversivo.

O mestre-sala é o Ney que incorpora o personagem marginal de perfil andrógino que une em estado de ambiguidade e ambivalência signos femininos e códigos visuais de masculinidade no mesmo corpo.

Predominantemente de vermelho, a porta-bandeira, veste a cor da paixão. Seu traje remete de forma lúdica e poética à faixa de abertura do álbum, BANDIDO CORAZÓN (composição de Rita Lee popularizada por Ney Matogrosso). A canção, interpretada em tom sedutor e teatral, ao ser registrada em disco ganha o “carimbo” latino que marca não apenas a interpretação dada por Ney para o clássico, quanto direciona as características estéticas apresentadas pelo traje que veste a porta-bandeira que desfila.


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