A magia do Carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.
Quando um casal entra na avenida bem vestido, defendendo com orgulho o seu pavilhão, seja ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que essa magia realmente nos tocou e passou a morar dentro de nós.
Esta é a vigésima segunda publicação no geral e a sétima do Grupo Especial da nossa série sobre os significados das fantasias do Carnaval de 2026. O Observatório dos Casais tem a alegria de, por mais um ano, registrar e preservar a memória dessa arte que atravessa gerações e emociona o público nas arquibancadas e pela transmissão.
Em 2026, seguimos ampliando nosso olhar: além do Grupo Especial, mais uma vez incluímos também os significados das fantasias da Série Ouro, reunindo informações sobre os desfiles realizados no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É motivo de orgulho conseguir compartilhar com o público o valor simbólico que cada fantasia carrega dentro do enredo das escolas.
Como já destacamos no ano passado, os casais do Grupo Especial vieram extremamente bem vestidos, o que evidencia o cuidado e o respeito dos carnavalescos e das agremiações com esse quesito tão representativo. Cada detalhe reforça a importância do casal dentro de uma escola de samba: são duas pessoas que empunham um pavilhão que representa uma nação, guarda histórias e carrega a identidade de uma comunidade inteira.
Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias dos casais da Unidos do Viradouro, Terceira escola a desfilar na Segunda Feira de carnaval pelo Grupo Especial:
A Unidos do Viradouro foi a terceira escola a desfilar na segunda feira de carnaval, dia 16 de fevereiro de 2026 com o enredo "Pra Cima Ciça", desenvolvido pelo carnavalesco Tarcisio Zanon, numa homenagem ao seu lendário Mestre de Bateria, Moacyr da Silva Pinto, mais conhecido como Ciça.
O quadro de casais da escola de Niterói era composto por três casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, sendo o primeiro formado pelo icônico casal Julinho Nascimento e Rute Alves, o segundo formado por Leonardo Thomé e Pietra Brum e o terceiro formado por Cauã Silva e Clara Martins
Primeiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Julinho Nascimento e Rute Alves
Nome da Fantasia: Tributo à Deixa Falar
Criação: Tarcísio Zanon
Confecção: Não Especificado no Livro A-A
O que Representa:
De acordo com sambistas do Estácio, em 1928, um grupo formado por bambas do bairro atribuiu o nome “escola de samba” a uma agremiação recém-fundada, antes classificada como bloco. “Chamava-se Deixa Falar como debique (deboche) às comadres de classe média do bairro que viviam chamando a gente de vagabundos. Malandros nós éramos, no bom sentido. Vagabundos, não!”.
Esta foi a explicação dada pelo sambista Alcebíades Maia, o Bide, para o nome daquela que seria considerada a primeira escola de samba, desfilando com este nome.
O pioneirismo da Deixa Falar, cria do Estácio de Mestre Ciça, dava-se também na forma com que foi estruturada a sua formação rítmica, com um samba mais firme, “pra cima”, uma batida mais urbana. O velho Estácio gestou e embalou o novo jeito de desfilar, formando uma nobre geração de músicos e sambistas que empunharam a bandeira do chamado samba de sambar.
Na criação da Deixa Falar, os fundadores adotaram o leão como símbolo que reunia atributos como altivez, garra e majestade musical da turma do Estácio. Era um berçário de feras.
Sambistas precursores, como o mestre-sala Bicho Novo (cujo nome era Acelino dos Santos, nascido em 1909 e considerado o primeiro mestre-sala da história das escolas de samba), criaram novas matrizes de bailado e do ritmo a partir de uma forma original de executar a dança do samba. Pioneiro, Bicho Novo começou a dançar na “Cada Ano Sai Melhor” em 1925 e na lendária Deixa Falar, em 1928. Ocupou o posto de primeiro mestre-sala pela Unidos de São Carlos nos anos 1950. Em 1988, com quase oitenta anos, foi primeiro mestre-sala da Estácio de Sá.
Hoje, cabe aos que carregam o nosso maior símbolo a honra de homenagear, por meio da Deixa Falar, a linhagem de feras, como Bicho Novo, que mudaram a história do Carnaval das escolas de samba e da cultura brasileira.
Segundo Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Leonardo Thomé e Pietra Brum
Nome da Fantasia: Renascimento
Criação: Tarcísio Zanon
Confecção: Não Especificado no Livro A-A
O que Representa:
Exatos dez anos após o fim do primeiro tempo na Viradouro, novamente os destinos da agremiação e do Mestre se cruzam no Carnaval. Depois das passagens pela Grande Rio e União da Ilha, Ciça retorna a Niterói com a missão de conduzir novamente a Furacão Vermelho e Branco. A fantasia do casal simboliza o renascer como o pássaro mitológico de fogo que revive das cinzas.
Terceiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Cauã Silva e Clara Martins
Nome da Fantasia: Assombração da Quarta Feira
Criação: Tarcísio Zanon
Confecção: Não Especificado no Livro A-A
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| O Terceiro Casal representava a assombração da Quarta Feira | Foto: Tata Barreto |
O que Representa:
Quarta-Feira de Cinzas, o dia da verdade. As notas saem dos mapas de apuração, provocando extrema ansiedade em todos os artistas da festa. Um ritual anual de apreensão e expectativa que será revivido daqui a menos de 48 horas, quando serão abertas as notas do Carnaval 2026. Para a bateria, um quesito coletivo, mas liderado por um mestre experiente como o Caveira, é o momento em que os números podem assombrar (ou consagrar).
Ala de Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira
Nome da Fantasia: Anita Garibaldi e Giuseppe Garibaldi
Criação: Tarcísio Zanon
Confecção: Não Especificado no Livro A-A
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| Ala de Casais da Viradouro representou Anita Garibaldi e Giuseppe Garibaldi | Foto: Autor Desconhecido |
O que Representa:
Após a epopeia tijucana, continuando a desfilar outros amores, tem início o primeiro tempo do jogo na Viradouro, no Carnaval de 1999. O projeto de casais mirins da escola reverencia Mestre Ciça ao relembrar o primeiro encontro com a bateria viradourense. Em um desfile inesquecível, criado por Joãosinho Trinta, Mestre Ciça impôs seu estilo. Quebrando a baqueta das caixas da agremiação niteroiense, pôs o instrumento mais ao alto e botou o andamento mais pra frente. As porta-bandeiras mirins reverenciam a protagonista do enredo, Anita Garibaldi, a heroína das sete magias, enquanto os mestres-salas representam o seu companheiro de luta e de vida, Giuseppe Garibaldi, herói pela unificação dos estados italianos. No enredo do carnavalesco maranhense, Anita era um ser de prata que em noite de lua cheia, em Santa Catarina, transformava-se em borboleta e percorria os céus “em busca da sabedoria*”.
*Trecho do samba “Anita Garibaldi, Heroína das Sete Magias”, de Gilberto Gomes, Gusttavo, Mocotó, PC Portugal e Dadinho



