Durante muito tempo pensei sobre os grandes casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira que vi dançar ao longo da minha infância. Muitas vezes me perguntei até quando ainda os veria na avenida e se, no dia em que decidissem parar, avisariam com antecedência que aquele seria o seu último carnaval.
| Lucinha foi uma das grandes Porta Bandeiras que Vi dançar e durante uma temporada, vi ao vivo | Fotos: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal, O Globo, Lidia Azevedo, Rio News e Eduardo Hollanda |
Ao longo dos anos, vi grandes casais brilharem: Marquinhos e Giovanna Justo, Rogerinho Dornelles e Lucinha Nobre. Também acompanhei o encerramento do ciclo de Chiquinho e Maria Helena. Hoje ainda tenho o privilégio de assistir Julinho Nascimento e Rute Alves, além de Claudinho e Selminha Sorriso, os únicos representantes daqueles grandes casais de outra geração que seguem em atividade.
A aposentadoria de Lucinha Nobre me pegou de surpresa e confesso que também de susto. Quando eu era adolescente, vi ela e Rogerinho dançarem na Inocentes de Belford Roxo, escola que ajudou a moldar quem eu sou como sambista e que despertou em mim tantos sonhos.
Foi ali que nasceu, inclusive, um deles: o sonho de me formar e criar um espaço que falasse sobre os casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Hoje, anos depois, estou aqui com o Observatório dos Casais. Mas essa já é outra história.
A despedida de Lucinha Nobre marca o encerramento de um capítulo importante na história da dança de porta-bandeira no carnaval. Dona de uma trajetória marcada pela elegância, técnica e profundo respeito ao pavilhão que defendeu ao longo de tantos carnavais, Lucinha construiu um legado que atravessa gerações.
Foi uma despedida silenciosa, anunciada logo após o desfile das campeãs, e que poucos esperavam receber. Eu também não esperava. Admiradora do seu trabalho desde a adolescência, acompanhei sua trajetória com o olhar de quem aprendeu a respeitar e admirar ainda mais a arte da porta-bandeira a cada apresentação.
Obrigada, Lucinha, por ser uma das grandes potências da dança e uma das porta-bandeiras que me fizeram me apaixonar por essa arte. Seu legado seguirá vivo na memória do carnaval e na minha também.