A magia do Carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.
Quando um casal entra na avenida bem vestido, defendendo com orgulho o seu pavilhão, seja ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que essa magia realmente nos tocou e passou a morar dentro de nós.
Esta é a nona publicação da nossa série sobre os significados das fantasias do Carnaval de 2026. O Observatório dos Casais tem a alegria de, por mais um ano, registrar e preservar a memória dessa arte que atravessa gerações e emociona o público nas arquibancadas e pela transmissão.
Em 2026, seguimos ampliando nosso olhar: além do Grupo Especial, mais uma vez incluímos também os significados das fantasias da Série Ouro, reunindo informações sobre os desfiles realizados no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É motivo de orgulho conseguir compartilhar com o público o valor simbólico que cada fantasia carrega dentro do enredo das escolas.
Como já destacamos no ano passado, os casais da Série Ouro vieram extremamente bem vestidos, o que evidencia o cuidado e o respeito dos carnavalescos e das agremiações com esse quesito tão representativo. Cada detalhe reforça a importância do casal dentro de uma escola de samba: são duas pessoas que empunham um pavilhão que representa uma nação, guarda histórias e carrega a identidade de uma comunidade inteira.
Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias dos casais da Em Cima da Hora, segunda escola a desfilar na sábado de carnaval pela Série Ouro:
A Em Cima da Hora foi a segunda escola a desfilar no dia 14 de fevereiro de 2026, teve como enredo "Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombas Giras", desenvolvido pelo carnavalesco Rodrigo Almeida e fazia uma homenagem as entidades femininas das ruas, as pombas giras.
O quadro de casais da escola de Cavalcante contava com três casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, sendo o primeiro formado por Marlon Flores e Winnie Lopes, o segundo formado por Ewerton Anchieta e Alana Couto e o terceiro casal formado por Pedro Lucas e Clara Omena.
Primeiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Marlon Flores e Winnie Lopes
Nome da Fantasia: Os Reis da Encruza
Criação: Rodrigo Almeida
Confecção: Não Específicado no Livro Abre Alas
![]() |
| A fantasia do primeiro casal representa o Rei e a Rainha das Sete Encruzilhadas | Foto: Alex Ferro |
O que representa:
Mestre-Sala: A indumentária faz alusão ao Rei da Sete Encruzilhadas, entidade de respeito máximo entre as falanges de Exu. Com garbo e autoridade, ricamente vestido protegendo e abrindo os caminhos para o pavilhão e toda escola passar por esta avenida.
Porta-Bandeira: Toda riqueza, beleza e poder estão representados na figura da Porta Bandeira, representando a Rainha das Sete Encruzilhadas. Senhora das ruas, de sensata justiça ela empunha o pavilhão da escola com elegância, soberania e majestade. Ornada em pedras, penas e brocados, encanta com suas cores fortes que imprimem uma máxima grandeza.
Segundo Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Ewerton Anchieta e Alana Couto
Nome da Fantasia: A Manifestação do Oculto – O Mistério das Almas
Criação: Rodrigo Almeida
Confecção: Não Específicado no Livro Abre Alas
![]() |
| A fantasia do segundo casal representa o mistério das almas | Foto: Alex Ferro |
O que representa:
Mestre-Sala: O Mistério das Almas que ocupam as macumbas cariocas, o culto ainda não compreendido que perambula pelas ruas, pela noite e seus segredos. O que ainda será revelado, mas que já é sentido.
Porta-Bandeira: A Manifestação do Oculto. A essência feminina incorporada, o princípio do entendimento do que seriam as pombagiras. Com seu bailado, sua realeza e beleza, estas entidades começa a se apresentar nas macumbas cariocas, intrigando e encantando a quem a presencia.
Terceiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Pedro Lucas e Clara Omena
Nome da Fantasia: Zé Pilintra e Maria Navalha
Criação: Rodrigo Almeida
Confecção: Não Específicado no Livro Abre Alas
O que representa:
Mestre-Sala: Representa o Seu Zé Pelintra. Entidade das ruas muito popular entre os praticantes de religiões afro-brasileiras, com características pertinentes ao universo da malandragem carioca. Foi aquele que ajudou e protegeu Maria Navalha.
Porta-Bandeira: Maria Navalha, a mulher que não temia o perigo, que enfrentava os inimigos. Pertencente ao universo das ruas, agrega em si signos da malandragem carioca, com sua força, coragem, pertencimento e ousadia.

