A magia do Carnaval acontece quando vemos um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira evoluir sua dança sob nossos olhos.
Quando um casal entra na avenida bem vestido, defendendo com orgulho o seu pavilhão, seja ele Primeiro, Segundo ou Terceiro Casal, entendemos que essa magia realmente nos tocou e passou a morar dentro de nós.
Esta é a oitava publicação da nossa série sobre os significados das fantasias do Carnaval de 2026. O Observatório dos Casais tem a alegria de, por mais um ano, registrar e preservar a memória dessa arte que atravessa gerações e emociona o público nas arquibancadas e pela transmissão.
Em 2026, seguimos ampliando nosso olhar: além do Grupo Especial, mais uma vez incluímos também os significados das fantasias da Série Ouro, reunindo informações sobre os desfiles realizados no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É motivo de orgulho conseguir compartilhar com o público o valor simbólico que cada fantasia carrega dentro do enredo das escolas.
Como já destacamos no ano passado, os casais da Série Ouro vieram extremamente bem vestidos, o que evidencia o cuidado e o respeito dos carnavalescos e das agremiações com esse quesito tão representativo. Cada detalhe reforça a importância do casal dentro de uma escola de samba: são duas pessoas que empunham um pavilhão que representa uma nação, guarda histórias e carrega a identidade de uma comunidade inteira.
Veja a seguir o enredo, o quadro de casais e o significado das fantasias doa casais da Botafogo Samba Clube, primeira escola a desfilar na sábado de carnaval pela Série Ouro:
A Botafogo Samba Clube foi a primeira escola a desfilar no dia 14 de fevereiro de 2026, teve como enredo "O Brasil que Floresce em Arte", desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres e fazia uma homenagem ao paisagista e artista plástico Roberto Burle Marx.
O quadro de casais da escola do Engenho de Dentro contava com dois casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, sendo o primeiro formado por Diego Moreira e Beatriz Paula e o segundo formado por Vinícius Paes e Jéssica Ramos.
Primeiro Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Diego Moreira e Beatriz Paula
Nome da Fantasia: Arte Abstrata de Burle Marx
Criação: Alexandre Rangel e Raphael Torres
Confecção: Não Específicado no Livro Abre Alas
O que representa:
Mestre-Sala: O primeiro mestre-sala representa o pintor, simbolizando Roberto Burle Marx que transformou linhas, formas e cores em expressão abstrata. Sua fantasia, inspirada na vestimenta europeia, faz referência à formação inicial de Burle Marx e ao diálogo entre a estética europeia e a criação brasileira que marcaria sua obra. Os elementos abstratos do traje evocam a liberdade criativa do artista — traços fluidos, cores vibrantes e composições que remetem às suas pinturas e estudos. Em sua dança, o mestre-sala encarna o movimento da própria arte abstrata: livre, dinâmica e inovadora.
| A indumentária do primeiro Casal representa a arte abstrata de Roberto Burle Marx | Foto: Cintia Mello |
Porta-Bandeira: A primeira porta-bandeira representa a arte abstrata que marcou o trabalho de Roberto Burle Marx. Sua fantasia evoca as pinturas abstratas do artista, com cores, formas e traços livres que remetem às suas experimentações visuais.
O destaque da aquarela-godê na cabeça simboliza o ato de pintar e a origem do gesto criativo que deu vida à sua obra. Ao girar o pavilhão, a porta-bandeira transforma o movimento em arte, celebrando Burle Marx como o pintor que inspirou o paisagismo modernista brasileiro.
Segundo Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira: Vinícius Paes e Jéssica Ramos
Nome da Fantasia: O Modernismo Floresce Tropical
Criação: Alexandre Rangel e Raphael Torres
Confecção: Não Específicado no Livro Abre Alas
O que representa:
Mestre-Sala: O segundo mestre-sala simboliza o “Modernismo Floresce Tropical”, trazendo na fantasia — com asas de borboleta, folhas e formas geométricas — a união entre arte e natureza que transformou o paisagismo brasileiro. As cores vibrantes e as composições abstratas remetem ao estilo modernista de Burle Marx, que valorizou a vegetação brasileira e fez dos jardins verdadeiras obras de arte vivas. Ao dançar, ele representa esse florescer tropical do modernismo, celebrando um Brasil criativo, ousado e cheio de vida.
Porta-Bandeira: A segunda porta-bandeira representa o “Modernismo Floresce Tropical”, trazendo em sua fantasia folhas estilizadas, formas geométricas e cores vibrantes que remetem à estética modernista de Burle Marx. Seus elementos evocam a união entre natureza e arte, valorizando a vegetação brasileira e os jardins concebidos como obras de arte vivas. Ao girar o pavilhão, ela simboliza esse florescer tropical do modernismo, celebrando um Brasil criativo, colorido e cheio de vida.