Quem foi Birinha d' Mangueira, Grande Mestre Sala da Estação Primeira de Mangueira

Ubiracy Lima de Oliveira, mais conhecido como Birinha d’Mangueira nasceu em 21 de junho de 1969 e construiu uma trajetória marcada pelo respeito ao pavilhão, pela elegância na dança e pelo compromisso com a história do carnaval. Reconhecido pelo estilo firme e consciente, atuou com discrição e excelência técnica, tornando-se referência entre os mestres-salas de sua geração.

Birinha como era conhecido Ubiracy Lima de Oliveira foi um dos grandes nomes da Estação Primeira de Mangueira e do carnaval | Foto: Autor Desconhecido

Seus primeiros passos na Estação Primeira de Mangueira aconteceram ainda na infância, quando passou a integrar a ala mirim de casais da escola, sob a orientação de Dalmo José, criador da primeira ala de casais da história do carnaval. Foi nesse ambiente de formação que Birinha iniciou sua trajetória como mestre-sala, aprendendo desde cedo que a defesa do pavilhão vai além da técnica, envolvendo responsabilidade, memória e identidade cultural.

Birinha ao fundo da foto de seu grande Mestre, Dalmo José, fundador da primeira ala de casais da história do carnaval | Foto: Autor Desconhecido

Já em uma fase mais madura, Birinha também integrou a ala de maculelê da Mangueira, igualmente comandada por Dalmo José. A experiência contribuiu para ampliar sua consciência corporal, ritmo e expressividade, elementos que se somaram à base técnica construída na ala de casais e fortaleceram ainda mais sua atuação na avenida.

Na Estação Primeira de Mangueira, escola onde se formou e se consagrou, atuou como segundo mestre-sala entre 1995 e 2005. Ao longo dessa década, construiu parcerias importantes, desfilando em 1995 com Kátia Regina e, a partir de 1996, com Elaine Fernanda. A trajetória foi marcada pela harmonia do casal, pela leitura precisa do pavilhão e pelo respeito rigoroso à tradição da Verde e Rosa.

Em 2001, Birinha também desfilou como segundo mestre-sala da Unidos de Vila Rica, ampliando sua atuação no carnaval e reafirmando o reconhecimento de sua dança em outras agremiações.

Após encerrar seu ciclo na Mangueira em 2005, iniciou um novo capítulo em 2006 ao assumir o posto de primeiro mestre-sala da Caprichosos de Pilares. Na escola de Pilares, levou sua experiência e sua postura técnica para a defesa de um novo pavilhão, mantendo o mesmo compromisso com a tradição e o respeito à função.

Em outubro de 2006, Birinha faleceu de forma precoce, aos 36 anos. Sua partida interrompeu uma trajetória que ainda tinha muito a oferecer ao carnaval. Seus últimos desfiles permanecem registrados em fotografias e na memória da avenida, como testemunho de uma carreira construída com dignidade, consciência histórica e profundo respeito ao pavilhão.
Postagem Anterior Próxima Postagem