Análise dos Casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Unidos de Padre Miguel para 2026

No último sábado, 13 de setembro, a Unidos de Padre Miguel realizou a final do concurso de samba-enredo para o Carnaval 2026. A disputa consagrou o samba da parceria liderada por Jefinho Rodrigues como o hino oficial da escola para o próximo desfile. A obra irá embalar o enredo “Kunhã Eté – O Sopro Sagrado da Jurema”, que celebra a força, a história e a espiritualidade da guerreira indígena Clara Camarão. Combinando elementos históricos, míticos e ancestrais, o enredo propõe uma exaltação do protagonismo feminino indígena, transformando Clara em símbolo de resistência e guardiã sagrada da memória e da cultura dos povos originários.

Durante o evento, a Unidos de Padre Miguel apresentou seus segmentos ao público, com destaque para o quadro de casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. A escola conta atualmente com dois casais: o primeiro formado pelo experiente Marcinho Siqueira, recém-chegado à agremiação, ao lado de Cris Caldas; e o segundo composto por Emerson Faustino e Joana Falcão. A apresentação de ambos chamou a atenção e, a seguir, será feita uma análise detalhada do desempenho dos casais, destacando pontos fortes e aspectos a serem aprimorados para o desfile oficial de 2026.

Na madrugada de sábado para domingo, a apresentação da Unidos de Padre Miguel durante a final do samba-enredo contou com a participação do primeiro casal, Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas. Chegados após o Carnaval de 2025, eles já haviam se apresentado em uma feijoada da escola em abril, mas tiveram na final de samba a primeira experiência conduzindo o pavilhão em um dos eventos mais importantes da temporada.

Marcinho e Cris, atual Primeiro Casal da Unidos de Padre Miguel para 2026 | Foto: S1 Comunicações

O casal conduziu o pavilhão num momento de grande simbolismo, afinal, o samba vencedor passa a ser o guia musical dos ensaios rumo ao próximo Carnaval. Com uma apresentação alinhada ao protocolo tradicional, a dupla realizou o giro de abertura diante do público e da diretoria antes de atravessar a quadra ao som de dois sambas históricos. No primeiro momento, Marcinho e Cristiane evoluíram ao som do samba “Abram Alas que Eu Quero Passar. Sou Carnaval Carioca, Sou Unidos de Padre Miguel”, tema do Carnaval de 2005, ano em que a escola conquistou o acesso ao Grupo C. Em seguida, marcando a transição para o novo ciclo, o casal se apresentou com o samba de 2025, do enredo “Egbé Iyá Nassô”, que marcou o retorno da agremiação ao Grupo Especial.

A performance foi pautada pela experiência e pelo entrosamento, características que acompanham Marcinho e Cris ao longo da trajetória conjunta. O Mestre-Sala mostrou firmeza e imponência nos movimentos, transmitindo segurança à sua parceira, enquanto a Porta-Bandeira se destacou pela leveza dos giros, amplitude dos braços e elegância no manejo do pavilhão. Foi uma dança bem marcada e ensaiada, sob a responsabilidade de Ana Formighieri, que assume a função de coreógrafa do primeiro casal. O trabalho de Ana se refletiu na organização dos movimentos e na disciplina técnica que já começa a moldar a identidade da dupla dentro da Unidos.

Entre os pontos fortes, destacaram-se a postura imponente de Marcinho e a presença cênica de Cris, que soube unir delicadeza e altivez na condução do pavilhão. O entrosamento entre ambos, fruto de anos de parceria, garantiu naturalidade à performance, fazendo com que o público percebesse a sintonia e a cumplicidade que sustentam a dança. Ainda assim, a apresentação também abre espaço para ajustes importantes: em determinados momentos, as transições poderiam ser mais fluidas, valorizando ainda mais a narrativa do bailado. Ao longo da temporada de ensaios, o desafio será aprimorar detalhes de tempo, refinamento técnico e maior exploração do espaço da quadra.

Já o segundo casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Unidos de Padre Miguel, Emerson Faustino e Joana Falcão, se apresentou sob o som do samba “Ginga”, do Carnaval de 2020 — uma obra que simboliza bem a identidade da escola e que possibilitou aos dois desenvolverem uma performance marcada pela leveza e pela energia.

Emerson e Joana com seu coreógrafo Raphael | Foto: Arquivo Raphael Gonçalves

A apresentação trouxe como destaque a juventude e a vitalidade, características que já se tornaram marca registrada da dupla. Emerson, com movimentos firmes e bem definidos, conduziu Joana com segurança, permitindo que a Porta-Bandeira valorizasse a amplitude de seus giros e a graciosidade do manejo do pavilhão. Foi uma dança bem marcada e ensaiada, resultado do trabalho de Raphael Gonçalves, que segue para o segundo ano como coreógrafo do casal. O cuidado de Raphael se refletiu na precisão dos movimentos e na sintonia apresentada, evidenciando que o casal tem se dedicado para alcançar um padrão de excelência.

Um ponto forte da dupla foi a expressividade: Joana se destacou pelo sorriso constante e pela leveza no olhar, transmitindo emoção ao público, enquanto Emerson manteve uma postura de guardião atento e seguro, reforçando o equilíbrio entre a suavidade e a firmeza que o bailado exige. Ainda assim, a apresentação evidenciou aspectos que podem ser aprimorados ao longo da temporada de ensaios. Em alguns momentos, a transição entre os movimentos poderia ganhar maior fluidez, de forma a valorizar a narrativa que o casal constrói na dança.

No próximo Carnaval, Joana e Emerson completam seu setimo ano como Segundo Casal da Unidos de Padre Miguel, o que reforça a importância da continuidade e do amadurecimento do trabalho que vêm desenvolvendo. A atuação deles contribui para reafirmar a força coletiva do quadro de casais da escola, que se apresenta sólido, confiante e preparado para encarar os desafios do retorno ao Grupo Especial em 2026.

Com Marcinho e Cris trazendo a experiência e a tradição, e Emerson e Joana representando a juventude e a vitalidade, a Unidos de Padre Miguel apresenta um quadro de casais equilibrado e consistente. Cada dupla, dentro de suas características e trajetórias, soma para reforçar a identidade da escola e garantir que o pavilhão vermelho e branco esteja em mãos seguras e talentosas. Unidos pela mesma responsabilidade e movidos pela paixão ao pavilhão, os dois casais são peças fundamentais para que a agremiação enfrente com confiança os desafios do retorno ao Grupo Especial em 2026.
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