A Pressão que Ninguém Vê: A Importância do Cuidado da Saúde Mental dos Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira

Por Vitória de Moraes

Por trás do brilho do bailado, existe uma pressão que poucos enxergam — ou preferem não enxergar. O Primeiro Casal de uma escola de samba carrega a responsabilidade de 40 pontos, capazes de decidir um título, tirar uma escola do desfile das campeãs ou até definir sua permanência no grupo.

É um fardo silencioso, sustentado com sorriso no rosto, leveza nos giros e a missão de representar não apenas um pavilhão, mas toda uma comunidade. Ao mesmo tempo em que encantam o público, vivem com a consciência de que cada movimento pode definir o futuro da escola.

Marlon Lamar e Squel Jorgea, Primeiro Casal da Portela, escola que adotou recentemente equipe multidisciplinar para cuidar de sua equipe | Foto: Alexandre Vidal

Os jurados observam detalhes minuciosos: a perfeição da dança, a sincronia, a elegância dos gestos e a forma de defender a bandeira — símbolo máximo da agremiação. Não foram poucos os carnavais decididos nesses 40 pontos.

Diante desse cenário, cresce a necessidade de tratar a saúde mental como parte essencial da preparação. “É uma responsabilidade muito grande. A gente também tem que entender que esses profissionais precisam desse suporte. Eles, tecnicamente, estão preparados para essa responsabilidade, mas, se o emocional estiver comprometido, a coisa pode desandar”, afirmou Elisa Fernandes, nova Diretora de Carnaval da Unidos da Tijuca, em entrevista ao Site Carnavalesco.

Além das notas, os casais enfrentam a pressão constante de fóruns, grupos e redes sociais, onde muitas vezes têm sua capacidade colocada em dúvida. Foi o que viveu Bruna Santos, atual Primeira Porta Bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel, ao assumir o pavilhão da escola em 2020 e ser alvo de críticas e olhares de desconfiança.

Cientes desse desafio, escolas como Unidos da Tijuca e Portela passaram a adotar espaços de acolhimento neste pré-carnaval de 2026. A Tijuca contratou três psicólogos para acompanhamento semanal de seus profissionais. Já a Portela inaugurou na quadra de ensaios, na rua Clara Nunes, um espaço médico em homenagem a Jerônimo Patrocínio, icônico Mestre Sala da escola. O local oferece apoio físico e mental a todos os envolvidos na preparação, incluindo os casais de Mestre Sala e Porta Bandeira.

Ao final, fica claro que o brilho no desfile vai muito além da dança: é fruto de técnica, dedicação e, acima de tudo, do cuidado com a saúde mental daqueles que carregam o coração da escola no peito e a bandeira nas mãos.

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