Em 12 de outubro, o Brasil celebra Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país. A história da santa está ligada ao ano de 1717, quando os pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia encontraram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição nas águas do Rio Paraíba do Sul, em São Paulo (SP). Segundo a tradição católica, após o encontro da imagem, os pescadores tiveram uma pesca abundante, acontecimento que passou a ser associado a um milagre.
A escolha do dia 12 de outubro como data de celebração de Nossa Senhora Aparecida está relacionada à tradição que marca o encontro da imagem em outubro de 1717 e posteriormente à instituição da data como feriado nacional e dia dedicado à padroeira do Brasil.
Nossa Senhora Aparecida também ocupa um espaço importante na cultura religiosa brasileira. No sincretismo religioso, Nossa Senhora Aparecida é sincretizada com Oxum, orixá cultuada nas religiões de matriz africana espalhadas pelo Brasil, entre elas o Candomblé e a Umbanda. Oxum é a orixá das águas doces, dos rios, da fertilidade, da maternidade, da beleza, do amor e da prosperidade.
O sincretismo religioso faz parte da história cultural e religiosa do Brasil, aproximando elementos de diferentes tradições ao longo da formação do país.
Neste 12 de outubro, o Observatório dos Casais reúne Porta-Bandeiras do Rio de Janeiro e de São Paulo que em diferentes momentos do Carnaval vestiram representações de Nossa Senhora Aparecida ou de Oxum. São imagens que mostram como a fé, a cultura e a religiosidade também encontram espaço na indumentária das responsáveis por conduzir o pavilhão.
1. 2016 | Unidos do Viradouro: Giovanna Justo como Oxum
Em 2016, a Unidos do Viradouro levou para a Marquês de Sapucaí o enredo O Alabê de Jerusalém, a Saga de Ogundana, baseado na obra de Altayr Veloso e desenvolvido pelo carnavalesco Max Lopes. Naquele desfile, o Primeiro Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Marquinhos e Giovanna Justo, esteve ligado à narrativa apresentada pela escola. Giovanna surgiu caracterizada como Oxum, orixá das águas doces, associada aos rios, cachoeiras, à fertilidade, à beleza e à riqueza.
A Porta-Bandeira usou uma fantasia com elementos que remetiam à orixá, com destaque para os tons dourados e os adornos associados ao ouro, um dos símbolos de Oxum. Dentro da narrativa do enredo, a orixá também fazia parte da trajetória de Ogundana, personagem central da obra.
A representação de Oxum na Sapucaí também pode ser relacionada ao sincretismo religioso presente em diferentes tradições afro-brasileiras. Em algumas delas, Nossa Senhora Aparecida é associada à orixá. A relação passa, entre outros elementos, pela simbologia das águas: a imagem da santa foi encontrada no Rio Paraíba do Sul em 1717, enquanto Oxum é tradicionalmente ligada às águas doces.
No carnaval carioca, a presença de Oxum nos pavilhões dos casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira aparece em diferentes momentos. A representação de Giovanna Justo pela Viradouro é uma delas.
2017: Estação Primeira de Mangueira – Débora Almeida – Segunda Porta Bandeira
Em 2017, a Estação Primeira de Mangueira levou para a Marquês de Sapucaí o enredo Só com a Ajuda do Santo, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira. O desfile abordou a religiosidade brasileira a partir da fé popular e do sincretismo, aproximando manifestações do catolicismo e das religiões de matriz africana.
Dentro dessa proposta, a Segunda Porta-Bandeira da agremiação, Débora Almeida, surgiu representando Nossa Senhora Aparecida ao lado do Mestre-Sala Renan Oliveira, caracterizado como o pescador. A dupla integrou o setor No altar ou no gongá, dedicado às diferentes formas de devoção presentes na religiosidade brasileira.
A representação fazia referência à história de Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem foi encontrada por pescadores no Rio Paraíba do Sul, em 1717. No desfile da Mangueira, a santa apareceu ao lado de outras manifestações de fé popular, reforçando a proposta do enredo de apresentar a convivência entre diferentes crenças e formas de devoção na cultura brasileira.
2022: Mancha Verde – Adriana Gomes – Primeira Porta Bandeira
Em 2022, a Mancha Verde levou para o Sambódromo do Anhembi o enredo Planeta Água, inspirado na música homônima de Guilherme Arantes. Desenvolvido inicialmente pelo carnavalesco Jorge Freitas e finalizado por uma comissão de carnaval, o desfile abordou a importância da água para a vida e para a natureza, além de sua presença em diferentes manifestações religiosas. A escola apresentou referências às águas doces e salgadas, incluindo orixás como Oxum e Iemanjá, além de histórias e personagens ligados ao elemento.
| Adriana durante o desfile da Mancha sobre a água e em representação de Nossa Senhora Aparecida | Foto: Srzd Carnaval |
Nesse contexto, a Primeira Porta-Bandeira Adriana Gomes surgiu representando Nossa Senhora Aparecida, enquanto o Mestre-Sala Marcelo Silva representava o pescador. A dupla fazia referência à história do encontro da imagem da santa no Rio Paraíba do Sul, em 1717, quando pescadores lançaram suas redes no rio.
A representação de Nossa Senhora Aparecida, portanto, estava diretamente relacionada à presença da água na história da santa e integrava a abordagem religiosa do enredo. Ao lado do pescador, Adriana levou para o pavilhão uma das narrativas de fé apresentadas pela Mancha Verde em seu desfile sobre as diferentes relações entre a água, a vida e a espiritualidade.
2026: Barroca Zona Sul – Fernanda Medeiros – Segunda Porta Bandeira
Em 2026, a Barroca Zona Sul levou para o Sambódromo do Anhembi o enredo Oro Mi Maió OXUM, desenvolvido pelo carnavalesco Pedro Alexandre Magoo. Como o próprio título anuncia, o desfile foi uma homenagem a Oxum, orixá das águas doces, associada ao amor, à beleza, à fertilidade e à riqueza. A escola apresentou diferentes aspectos da história e das características da orixá ao longo do desfile.
| Fernanda representou a Orixá Oxum, homenageada do enredo da Barroca Zona Sul | Foto: Arquivo Pessoal |
Dentro da proposta, a Segunda Porta-Bandeira Fernanda Medeiros surgiu representando a própria Oxum. A caracterização da Porta-Bandeira integrou a representação da orixá que esteve presente em diferentes momentos do desfile, reforçando a centralidade de Oxum na narrativa apresentada pela Barroca Zona Sul.
A representação de Fernanda faz parte de uma das diferentes formas pelas quais Oxum foi apresentada no carnaval, desta vez tendo o pavilhão como elemento de representação da orixá em um desfile inteiramente dedicado à sua história e à sua simbologia.
Tags:
12 de Outubro
Barroca Zona Sul
Carnaval RJ
Carnaval SP
Estação Primeira de Mangueira
Mancha Verde
Nossa Senhora da Aparecida
Observatório dos Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira
Oxum
Unidos do Viradouro